Hoje decidi escrever sobre a visão que uma criança faz da Disney, ou, para ser ainda mais correta, como a Disney é vista através dos olhos de uma criança. Para começar, vamos voltar lá atrás, na idéia de Walt Disney, que deu origem a tudo… Disney levava suas filhas Diane e Sharon ao parque de diversões todos os domingos e, enquanto as meninas brincavam e se divertiam, ele ficava sentado em um banco, apenas observando a diversão das crianças… À partir dessa experiência, ele começou a pensar em um lugar onde crianças e adultos pudessem brincar e se divertir juntos… Começava a nascer ali a idéia da Disneyland…

É muito comum ouvirmos famílias com filhos pequenos dizerem que desejam muito ir à Disney, porém, precisam esperar os filhos “crescerem um pouco mais”, pois, caso contrário, eles (crianças!!) não aproveitarão nada… Na verdade, creio que a grande preocupação dos adultos, seja que eles próprios talvez não aproveitem tudo o que gostariam, por estarem com filhos pequenos. Isso se deve, seguramente, à falta de informação precisa sobre o que, realmente, é Walt Disney World Resort. Durante meu tempo de trabalho como guia de turismo, era muito comum, no início da viagem, as pessoas fazerem uma confusão enorme entre os parques e atrações… Vi também, grupos deixando o Magic Kingdom, e dizendo aos amigos que haviam adorado aquele dia no “parque Disney”… Por isso, sempre achei crucial e fundamentalíssimo, no trajeto do hotel ao parque, explicar exatamente tudo sobre o parque que seria visitado, para que não houvesse esse tipo de dúvida posteriormente, afinal, Walt Disney World Resort, é o maior centro de lazer e entretenimento do mundo, com vários hotéis, 4 parques temáticos, 2 parques aquáticos, um gigantesco complexo esportivo, Downtown Disney e muito encanto, magia e alegria.

 

 

Mas, voltando ao tema principal deste texto, sempre falo que se todos os “adultos” que pensam que a Disney não é para crianças pequenas, tivessem o privilégio de passar algumas horinhas apenas de um dia com elas dentro de um parque, certamente, mudariam de opinião rapidamente e, mais ainda, se experimentassem o encanto que é estar com elas, pequenas, simples, puras e sonhadoras, viveriam, certamente, 100% da magia de uma viagem a Walt Disney World Resort. A magia completa, sonhada e idealizada pelo grande Walt Disney.

Quando escrevi o texto falando sobre a menininha que perguntou-me “como a Minnie chegava ao quarto dela, no andar superior da casinha, se lá não havia escada alguma” (link), esse foi apenas um dos muitos momentos encantadores que coleciono no meu bauzinho de lembranças da Disney sob o olhar de uma criança. Os pais sinalizaram à criança que viesse procurar a mim, porque eles, por certo, não saberiam o que responder ou, talvez, como responder, sem quebrar a magia, ou dar uma má resposta à criança. Quando respondi que a escada que conduzia ao andar superior da casinha era mágica, como tudo na Disney, e que só a Minnie poderia enxergá-la, os olhos daquela pequenina brilharam tanto, que pensei que pulariam para fora e, cheia de encanto, repetiu cada uma das minhas palavras aos pais, com o triplo de doçura, encanto e magia.

 

 

A reação de uma criança que avista o Mickey, por exemplo, é uma coisa indescritível, impressionante, e que enche o nosso coração de alegria… É tanta singeleza, tanta pureza, que encanta todos quantos tem o privilégio de assistir essa cena. São abraços carinhosos, beijos cheios de carinho, palavras que encantam, carinho nos braços, rosto, enfim, uma cena, realmente, indescritível! Isso, sem contar que elas ainda olham para os pais, amigos, enfim, para qualquer pessoa que esteja por perto e, muitas vezes dizem, na maior espontaneidade do mundo: “não falei que ele existia?”, ou “venha ver, ele é de verdade mesmo”, ou ainda “mãe, abraça ele também, ele é fofinho!”… Isso, claro, sem contar aquelas crianças que ficam tão “extasiadas”, que “paralisam” ao ver seu personagem favorito… À medida que o personagem sinaliza para ela, que mexe com ela, ela abre o bracinho, estende a mãozinha, numa mistura de alegria, com encantamento, receio, enfim, mas, muito antes das mãos, os olhos chegam ao encontro daquele amigo tão especial e, ao primeiro toque, o sorriso cresce no rosto, o receio desaparece e a magia, se encarrega de todo o resto!

 

 

Outro momento doce é quando eles são muito pequenos, e os characters os pegam no colo… É demais! As fotos ficam encantadoras! E, quando eles não podem mais ser pegos no colo, o encanto fica por conta dos “amigos da Disney” ajoelharem para alcançar a altura desses “pequenos notáveis” que, muitas vezes, fazem o dia do Mickey, Minnie, Cinderella e assim por diante. Acredite, não é a mesma coisa você adulto estar com o Mickey, por exemplo, sozinho ou com outro adulto, e estar na presença dele, com uma criança que, verdadeiramente, o transforma em uma celebridade! Na verdade, nós adultos também, quando lá dentro, o vemos desta maneira, porém, ficamos receosos em nos expressar como tal, enquanto as crianças, escracham esse sentimento de maneira única, sem vergonha, sem receio, simplesmente, demostram, escancaradamente, todo o sentimento que nós, adultos, reprimimos e gostaríamos tanto de demonstrar também.

 

 

Uma ocasião, saindo cedo do trabalho em Fantsyland, ao me dirigir àquelas famosas portas que dizem “Cast Members Only”, me deparei com um menininho, aparentemente, perdido dos pais. Como somos treinados para lidar com esse tipo de situação, me aproximei dele, com naturalidade e perguntei seu nome. Ele olhou para mim, ainda meio sério, e disse que se chamava Brian. Perguntei, então, se ele estava gostando do dia no Magic Kingdom, e ele disse que sim, que tudo era muito legal e que estava se divertindo muito. Questionei, finalmente, porque se estava feliz por estar lá e se divertindo, estava, com aquela aparência tensa, apreensiva ou preocupada, e ele me confessou que não sabia onde estavam seus pais. Disse que havia se perdido deles ao saírem do Dumbo. Falei para ele que se era só isso, ele deveria colocar um sorriso no rosto que em pouquíssimos minutos encontraríamos a família dele, mas, que eu achava muito mais legal procurar a família tomando um sorvete. Ele, imediatamente, colocou um sorriso enorme naquele rostinho lindo, os olhos dele brilharam, escolhemos um sorvete e, enquanto o Cast Member preparava o sorvete dele, entrei em contato com a segurança do parque que, em poucos minutos localizou a família do pequeno Brian em Mickey’s Toontown Fair. Quando os pais chegaram, afoitos, com aquele misto de preocupação e alívio, falando um milhão de coisas ao mesmo tempo, o pequenino perdido, simplesmente, olhou para eles e disse: “porque vocês estão assim? Eu encontrei a Tati, e ela me falou que poderia tomar um sorvete enquanto vocês não chegassem! Fui naquela “janela” ali (Mrs. Potts Ice Cream), escolhi o sorvete que eu quis, bem grande e nem precisei pagar por ele! Não é mágico isso?”. Para acalmar a família tão atribulada, falei que todos eles mereciam um “Magical Moment” e que eu mesma o proporcionaria a eles. Pedi que escolhessem qualquer atração ali em Fantasyland e eu os levaria na mesma hora, sem filas, sem espera, só com muita alegria! Eles escolheram o “It’s a Small World” e lá fomos nós, conforme o prometido, sem filas, sem espera, cheios de sorrisos e alegria. Ao entrar no barquinho, deixando aquela fila enorme habitual da atração para trás, o pequeno Brian acenou com a mãozinha e gritou: “Obrigado por ser nossa fada madrinha por hoje, Tati!”.

 

 

Uma outra ocasião, trabalhando na parada elétrica, conversando com guests antes do horário do desfile, um pequeno grupo de crianças veio até onde eu estava e, um deles falou: “É verdade que a Thinker Bell voa do Castelo da Cinderella antes da parada elétrica?”. Expliquei que ele estava certo em parte, pois realmente, a fadinha voava da torre mais alta do Castelo da Cinderella, porém, após a parada, antes dos fogos. Uma menininha que estava junto ao grupo, disse que os pais dela haviam dito não acreditar ser possível que a fadinha voasse verdadeiramente, e que eles não deveriam esperar por tanto, para não se decepcionarem depois. Pedi a eles que me dissessem o que viam a Thinker Bell fazer quando assistiam a um comercial da Disney por exemplo. Eles disseram que ela sempre aparecia no começo e no final da propaganda, com a varinha mágica e, quando ela mexia a varinha, alguma coisa acontecia. Falei que era exatamente aquilo e, no Magic Kingdom, que era coração da magia, não poderia ser diferente. Levei os pequenos até a frente do castelo, arrumei para eles um lugar especial para assistirem a parada, junto aos familiares e mostrei o local exato, de onde a tão esperada fadinha, surgiria para o momento de glória das crianças. Falei que estaria ali pertinho deles, para juntos assistirmos o vôo da nossa querida Sininho, por sobre o parque. A parada acabou e, quando apagaram as luzes e ela surgiu, lá no alto da torre, as crianças foram ao delírio. Eles que haviam dito tudinho aos adultos “descrentes” sobre a verdade do vôo da pequena fadinha, ao acabar o show de fogos, radiantes de felicidade, disseram aos adultos: “viram como era verdade que a Thinker Bell voava mesmo!?!?! Agora, com o  pixie dust que saiu da varinha dela, vocês vão acreditar em tudo, porque tudo é possível na terra da magia!”.

Uma coisa tenho certeza: ninguém desfruta 100% da magia e do encanto da Disney, como uma criança, pois na sua simplicidade, ingenuidade e alegria de viver, ela não refreia sua alegria, não reprime seus impulsos, não camufla seus sentimentos e, quando for adulta e voltar lá, será capaz de reviver, intensamente, toda a magia vivida em Walt Disney World na infância, com o mesmo brilho no olhar, o mesmo encanto e será capaz de, verdadeiramente, transformar os sonhos das crianças que com eles estiverem em uma doce e mágica realidade.

 

Por Tatiana Colledan

 

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